Policial | 30/08/2019

Homem que se passava por policial federal é indiciado em Porto Alegre por estelionato e mais dois crimes



O suspeito de se passar por agente da Polícia Federal e aplicar golpes em mulheres foi indiciado por estelionato e outros dois crimes. Daniel Lopes da Silveira, 38 anos, é acusado de se aproximar das vítimas via redes sociais, se apresentar como policial federal e manter relacionamentos afetivos com elas para obter vantagens financeiras.

Silveira deve responder pela prática reiterada de estelionato, pelo uso do selo ou sinal público falsificado (no caso, as insígnias da Polícia Federal) e por ameaça. O inquérito foi encaminhado ao poder judiciário na quarta-feira (28), conforme a PF.

Dez vítimas foram ouvidas no inquérito. Os golpes, segundo a polícia, teriam sido aplicados no Rio Grande do Sul, em Santa Catarina, no Paraná e em São Paulo, e o prejuízo de cada vítima varia de R$ 15 mil a R$ 30 mil.

Ele foi preso preventivamente e segue detido na Cadeia Pública de Porto Alegre. A advogada do suspeito, Josiane Leal Schambeck, afirma que entrou com o pedido de habeas corpus e ainda aguarda julgamento. A investigação não trouxe elementos que pudessem afirmar que houve dano à administração pública federal, diz a defensora.

O processo foi encaminhado para apreciação do Ministério Público Federal (MPF) e tramita em segredo de justiça.

Relembre o caso
Desde 2015, segundo a polícia, o homem, natural de Novo Hamburgo, na Região Metropolitana de Porto Alegre, postava fotos em um perfil nas redes sociais vestindo uniforme da PF e segurando uma arma. Conforme os investigadores, ele fazia isso para sustentar a imagem de agente federal e se aproximar das vítimas.

A partir daí, criava histórias de que precisava de dinheiro para liberar mercadorias apreendidas antes que fossem a leilão, oferecia visto, alegava que tinha um imóvel muito caro, que precisava pagar taxa, e que tinha tido o salário suspenso, citou o delegado federal João Rocha, que investiga o caso, no começo deste mês.

Ele prometia vantagens às companheiras, parentes e amigos delas, como vistos norte-americanos, passaportes e mercadorias apreendidas por valores abaixo do mercado. Porém, depois de receber o dinheiro, não cumpria as promessas. Nesse momento, segundo a polícia, se tornava agressivo e as ameaçava.

Segundo a Polícia Federal, em depoimento, ele assumiu os atos. Em sua residência, foram apreendidos itens como um uniforme não-oficial da Polícia Federal e uma arma de pressão, que imitava uma arma de verdade.